Entrevista com Rose Gonçalves

Na Entrevista com Rose Gonçalves que é mãe do Igor, 23 anos ela conta com exclusividade para o quadro Família Butterfly como foi o processo de aceitação quando seu filho resolveu assumir a sua homossexualidade

Pra ela e para toda a família.

Se quiser ver a entrevista completa por vídeo, dê o play 😉

Entrevista com Rose Gonçalves

Rose Golçalves tem formação em Programação da Neurolinguística e ela também é Coaching em imagem, estilo e comportamento.

Espero que vocês estejam tão felizes quanto eu aqui por estar recebendo a Rose.

Flavia Adura: Rose, muito obrigada por dar essa entrevista pra gente,

É mais um bate papo realmente pra gente mostrar um pouquinho dos bastidores de como que funciona a questão da aceitação, a questão da descoberta que, no seu caso, é a do Igor ser gay, e eu queria que você falasse um pouquinho pra gente,

como é que foi isso, como foi que você descobriu a respeito do Igor…?

Rose Gonçalves: Primeiro quero agradecer porque eu confesso que quando vi o projeto eu falei “Gente, eu preciso participar disso!”.

Eu sabia que era um projeto mais voltado para a questão das mulheres,

mas eu falava “Não, não são só as mulheres que passam por esse momento”.

Eu conheço casos de que a família tem filhos e filhas que também são gays. São irmãos e os irmãos são gays.

Então eu acho que seria bacana eu levar essa conscientização e mostrar pra família que é importante esse apoio, não só na questão das mulheres, mas para os homens também.

Eu acho que a questão da mulher se assumir hoje como gay é um tema muito mais atual porque você via muito mais homem se assumindo do que mulheres, mas eu acho que ainda é pra gente um tabu né, não deixa de ser.

Rose Gonçalves conta como seu filho se assumiu pra ela!

Flavia Adura: E me conta um pouquinho Rose, como foi que você descobriu sobre o Igor?

Entrevista com Rose Gonçalves

Rose Gonçalves: Bom, o Igor hoje tem 23 anos de idade, é um menino maravilhoso!

Ele ainda é o meu bebê, porque pra mãe sempre vai ser um bebê (risos),

Ele tinha 15 anos quando ele se assumiu e eu acho que foi a melhor coisa que ele fez na vida, porque na verdade,

a família percebia nele os trejeitos.

Achava que ele ia ser gay, mas mãe nunca quer ver,

Nunca consegue enxergar e a questão de não querer ver não quer dizer que é preconceito seu como mãe, mas é o que ele vai sofrer através da sociedade.

Esse é o maior medo que eu percebo depois de conversar com outros pais, que a nossa preocupação é o que eles vão sentir.

O Igor sempre foi uma criança muito feliz, mas teve uma fase da adolescência dele que começou a se retrair muito.

Era um calor de 40°C e ele de casaco de capuz, o cabelo comprido e eu descobri que ele passou a não ir para a escola.

Ele ficava no corredor do prédio uma manhã inteira para não ir para a escola. E naquela época era o Orkut.

Rose Gonçalves

Fizeram um Orkut dizendo que iam matar meu filho!

Foi uma coisa horrível e quando eu tomei conhecimento fui lá pra defender, lógico, eu sou mãe né! Meu filho é a minha vida.

Qual era o motivo de estarem fazendo aquilo?

O que é que o meu filho fez para alguém?

Por que que ele estava sendo alvo de ódio?

Depois eu fui descobrir que a maioria das pessoas que estavam ali, disseminando aquilo, muitas queriam ter, na verdade, isso que ele tinha:

ter aquela família ou se assumir também.

Eu falo que ali no meio daqueles meninos tinham muitos que estavam no armário e eu acho que foi uma forma que eles encontraram de agredir, não o meu filho, mas agredir a eles mesmos.

E quando eu comecei a perceber que ele estava se retraindo muito, chegou até fazer terapia e quando ele decidiu falar pra mim e pra família, a primeira coisa que ele foi fazer foi cortar o cabelo.

O casaco de frio, tinha que lembrar que estava inverno porque ele não lembrava nem de levar, era frio e ele queria sair de camiseta.

Então assim, foi uma redescoberta, foi incrível, ele desabrochou de uma forma tão maravilhosa…!

Flavia Adura: E no começo ele falou apenas com você?

Rose Gonçalves: Foi, no começo foi.

Ele chegou pra mim e falou “Mãe, eu preciso te contar uma coisa, eu acho que eu sou gay!”.

Foi um baque e eu falava “Calma filho, isso passa, isso é só um momento, é só uma fase, isso vai passar…”

E ele olhava pra mim, tadinho…

só que eu não tinha conhecimento, pra mim era tudo muito novo.

E eu me lembro que depois daquela conversa eu falei “Filho, o que você precisa? O que eu puder fazer pra te ajudar….”.

Depois disso eu fui pro quarto e eu chorava, chorava e aí eu fui conversar com o meu marido.

Alguns meses atrás, antes disso,

O meu marido já tinha vindo falar comigo: “Amor, eu acho que o Igor é gay”

E eu falava: “Não, você está louco…”,

E ele dizia: “Mas amor, olha, desde criança, desde pequeno que ele já demonstrava isso “.

A gente brinca hoje que na época da Carla Pérez, que era a boquinha da garrafa,

Ele era o que queria ficar lá no meio da boquinha da garrafa e você via ele dançando eu falava “Ai meu filho que bonitinho, olha como ele sabe dançar…! ”,

Mas ele era uma menina dançando e eu não queria enxergar aquilo.

E hoje o Igor até me leva para as baladas.

Quando você realmente resolve aceitar vem muitas coisas boas junto, eles tentam levar você para o universo deles e querem que você conheça tudo!

Um capítulo muito bacana é quando os pais começam a participar mais da vida deles e ele gostam disso.

Entrevista com Rose Gonçalves

DICA DA ROSE

Converse bastante com seu filho ou sua filha, Escute o que eles tem para te dizer,

repare nos sinais, no fundo a gente sabe mas não quer aceitar por medo do que pode acontecer,

Não julgue-os!

Busque pessoas que já passaram por isso pra saber o que fazer,

Como falar com os familiares e como aceitar essa nova realidade.

Se você realmente se abrir vai perceber que seu filho será ainda melhor do que ele/ela era porque vai poder contar com você para o que precisar, isso vai aproximar bastante vocês!

Espero que você tenha gostado da Entrevista com Rose Gonçalves e lembre-se:

Você não está sozinha, conte sempre comigo e acredite, Se Assumir Liberta

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