Entrevista com Edith Modesto

Eu estou aqui com uma pessoa que faz parte da minha história, fiz uma Entrevista com Edith Modesto que é uma pessoa que eu tenho uma enorme gratidão e que essa gratidão será eterna, porque foi através da Edith que eu consegui ter a ajuda e a aceitação da minha mãe.

Se você conhece um pouquinho mais da minha história você vai saber que a minha mãe se tornou uma aliada no fato de eu me assumir e depois me assumir para os outros familiares.

Então é com muita alegria, é com muita gratidão,

que nós fazemos essa entrevista para o Quadro Especialistas,

para que possamos inspirar a outras mulheres também que estão passando pela mesma situação que eu já passei anteriormente né.

Se quiser ver a entrevista completa por vídeo é só apertar o play 😉

Falando um pouquinho da Edith Modesto, ela é a fundadora do GPH, que é um grupo de apoio para pais de homossexuais (que foi onde a minha mãe conseguiu essa ajuda), e fundadora do projeto Purpurina, que é um projeto de grupo para jovens de 13 a 24 anos.

Entrevista com Edith Modesto

Flavia Adura: Obrigada Edith, por ter disponibilizado esse tempinho para nós e eu queria saber como é que foi essa descoberta de você ter um filho gay?

Edith Modesto: Em primeiro lugar eu agradeço as boas palavras sobre mim e sobre o trabalho do GPH que,

na verdade, o trabalho foi seu né.

A gente sabe que precisa da colaboração e a coragem de cada um pra que o trabalho possa ser feito.

Então, foi muito difícil quando eu descobri sobre o meu filho,

faz mais de 20 anos e naquela época ninguém falava nada sobre o assunto.

Eu era professora universitária já e não sabia absolutamente nada.

Eu sabia que existia a homossexualidade, mas eu pensava que era bem longe da minha casa.

Eu chorei muito, fiquei muito decepcionada,

passei por todas as fases difíceis de um processo de aceitação, conforme eu mostro nos meus livros.

Foi bem difícil pra mim e pro meu filho,

claro, que não se sentiu aceito.

E eu comecei a perceber que eu precisava adquirir um conhecimento maior e comecei a falar com os próprios homossexuais.

Eles que me ajudaram no início e depois eu achei que tinha que conversar com outra mãe como eu, mas eu não achava nenhuma porque não existiam grupos de pais.

E o que eu fundei foi o primeiro grupo de pais que, na verdade, eram só as mães que conversavam.

Até hoje são só as mães que escrevem no grupo.

O grupo é fechadíssimo! Tudo o que se fala é confidencial.

É um grupo de ajuda mútua: uma mãe ajuda a outra e é na base mesmo da identificação, elas se identificam.

Nós temos 3 páginas de regras, porque é proibido julgar, as mães ficam desesperadas e a gente tem que entender. […].

Muitas mães ficam na parte da negação por muito tempo e o grupo de pais serve justamente para ajudar elas a passarem por essa etapa de uma maneira mais rápida e tranquila.

Flavia Adura: Edith, eu queria ver com você que tipo de suporte que o GPH oferece hoje:

ele é totalmente online ou vocês também possuem encontro presenciais?

Edith Modesto: Temos encontros físicos e presenciais.

No início pra pessoa poder entrar no grupo virtual ela tem que, no mínimo, conversar comigo ou com uma das mães facilitadoras por telefone.

Então, nós temos que avaliar se o grupo virtual vai ajudar aquela pessoa e se aquela pessoa vai ajudar as outras,

Entrevista com Edith Modesto

Porque é um grupo de ajuda mútua

Por pior que a pessoa esteja, tudo o que ela fala ajuda a outra, porque vai lembrar das dificuldades dela ou vai se identificar com aquela dificuldade.

Só que tem mães que às vezes estão tão mal que ainda não podem entrar no grupo virtual, então, nós ficamos lidando com essa mãe pessoalmente durante um determinado tempo, pela internet, e é tudo absolutamente confidencial e gratuito.

No meu consultório não é tudo gratuito porque eu cobro o valor que a pessoa pode pagar. Por eu ser a fundadora de uma ONG eu não posso deixar de atender alguém por causa de dinheiro, mas eu tenho vários preços dependendo daquilo que a pessoa pode pagar.

Agora, todos os encontros virtuais, todas as conversas telefônicas e pelo Skype, no início são gratuitas.

Um caso que aconteceu há pouco tempo foi de uma jovem falar pra mim “Ah, eu quero me assumir pra eu estreitar o meu relacionamento com a minha mãe, pra ser eu mesma…”.

Se você finge que é outra pessoa, você não tem mãe.

Que raio de mãe é essa que ama uma menina hetero quando você não é hetero?

Qual a porcentagem de mãe que você tem? 50% de mãe?

Você pode conversar com a sua mãe? Você pode falar aonde você foi?

Você pode falar de quem você está gostando?

Você pode falar da desilusão que você teve quando a pessoa que você estava gostando não gostou de você? Não pode! Você tem mãe? Não tem! E você tem direito de ter mãe!

Se quiser veja a entrevista completa por vídeo.

Lembre-se: você não está sozinha, conte sempre comigo e acredite, Se assumir liberta!

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