Entrevista com Cris Barros

A minha convidada de hoje para o Quadro Fora do Casulo é a Cris Barros, coach e vai contar pra gente como foi o processo dela de se descobrir e se assumir para a sua família!

Se quiser ver a entrevista completa por vídeo é só apertar o play 😉

Entrevista com Cris Barros

Flavia Adura: Cris obrigada por compartilhar um pouco da sua história com a gente e eu tenho certeza que nós vamos conseguir inspirar muitas mulheres e ajudar pessoas que estejam na mesma situação que a gente já esteve no passado.

Então me conta um pouquinho, como você se descobriu, como é que foi o seu processo de auto aceitação, como que você se sentiu…

Conta um pouquinho da sua história pra gente!

Cris Barros: Olha, eu acho que a minha história não é diferente de muitas que eu tive conhecimento, de coisas que eu já li.

Quando eu me descobri eu já tinha mais de 20 anos, então eu não entendia algumas coisas, eu achava que era só amizade quando eu ficava pensando numa amiga e foi também com uma amiga.

Uma amiga, uma vez vendo filme, me deu um beijo e eu gostei.

E eu fiquei assim, “Meu Deus, logo comigo?

Ah não, isso vai passar, é só modinha, foi só aquele dia…”.

Eu tinha 23 anos e fiquei achando que só eu era daquele jeito, que a minha mãe ia ter um treco, que ninguém ia me aceitar.

Fiz um drama na minha mente, chorava a noite… Eu mesma levei um susto quando eu me descobri assim

Flavia Adura: Quais foram os desafios que você enfrentou nesta época em questão de auto aceitação, e, também, de depois você querer virar a chave e se aceitar para se assumir?

Por que a gente sabe que é um processo diferente você se aceitar e depois você querer expor para o mundo a sua condição sexual.

Então como é que foi pra você?

Cris Barros: Olha, o primeiro grande desafio é com a família.

Eu tenho uma relação muito próxima com minha mãe e irmã, e de repente eu me senti completamente diferente delas.

A possibilidade de não ser aceita, de não ser amada, é o que mais dói. E como foi difícil pra mim, também foi difícil pra elas.

Primeiro foi uma aceitação minha e aí eu fui trabalhando de uma forma muito interna, de como eu contaria, se eu contaria.

Flavia Adura: E nessa época você pediu a ajuda de algum profissional, você procurou alguma ajuda, como é que foi?

Cris Barros: A minha mãe!

A minha mãe ficou desesperada e no dia que eu contei ela chamou um monte de psicólogas pra casa, mas o bom é que foram profissionais maravilhosos!

E uma delas me ainda me falou assim “Cris, a gente, na verdade, está aqui por causa da sua mãe! Se você está bem, se você está feliz…

Vamos aos pouquinhos, cada um tem seu ritmo, cada um tem o seu tempo…”.

Eu só continuei conversando com a psicóloga porque foi legal.

Foi legal lidar com esse autoconhecimento e lidar com essa aceitação respeitando o momento do outro, respeitando o momento delas,

porque foi um choque pra elas assim como foi pra mim.

Mas assim, não foi uma escolha de “Ah, eu vou procurar um psicólogo”.

Flavia Adura: E você pediu ajuda de alguma amiga, você ficou sofrendo tudo o que passava na sua cabeça sozinha ou você conseguiu compartilhar com alguém antes de se assumir para a sua família?

Cris Barros: Eu tive amigos que me apoiaram muito!

Tive uma grande amiga na época, meu melhor amigo até hoje, o Bertram, e eles foram me ponderando, foram me fazendo ver que seria uma turbulência, mas que ia passar.

Cris Barros

Se é o que eu queria fazer, uma questão de ter coragem

O que me motivou muito e me deu muita força foi o que a minha irmã disse no dia que eu assumi.

Ela é muito católica e a primeira coisa que ela disse foi que ela ia rezar para que nada nos separasse.

Então dali eu vi que isso ia passar e que eu ia aguentar tudo, porque quando você se sente amada você tem coragem para tudo, e ela é a minha única irmã!

Flavia Adura: E me conta um pouquinho mais sobre esse momento.

Foi num almoço ou num jantar?

Como foi que você se assumiu assim pra sua mãe e pra sua irmã?

Cris Barros: Foi num almoço.

A secretária que trabalhava lá em casa já tinha percebido que, digamos,

tinha uma amiga que ligava demais, que eu estava diferente, que tudo estava diferente.

Aí a minha mãe perguntou: “Olha, vocês estão me escondendo alguma coisa, o que é que está acontecendo?”

aí ela falou: “Não, quem tem que falar é a Cris. Cris, então fala!”

aí eu: “Aí meu Deus eu não sei se quero falar…”.

Aí ficou aquela coisa até que eu “Ah mãe, quer saber? É isso! pronto, falei!”.

Parece que saiu um elefante das minhas costas.

Flavia Adura: E a reação da sua mãe? Você falou o que exatamente? Você disse “Eu gosto de uma mulher…”?

Como foi que saiu a frase?

Cris Barros: Na época ela perguntou assim: “Cris, tem alguma coisa a ver com a fulana? ”

e eu fiquei calada. Ela disse: “Eu quero saber de uma vez por todas quem é a fulana!”,

eu disse: “Aí mãe, quer saber?

É a minha paixão, é a minha namorada, eu estou feliz pra caramba…”.

Ela arregalou os olhos e disse que ia ter um treco!

Mas ela não teve treco nenhum, chorou muito e depois nós conversamos, e o que ela teve foi muito ciúmes.

 

Entrevista com Cris Barros

 

 

Ela não estava esperando por isso

Ela tinha imaginado uma vida pra mim assim como toda mãe, uma vida dourada,

cheia de expectativas e na cabeça dela esse caminho não seria o caminho dourado.

Hoje ela viu que é, mas na época ela ficou com medo, com medo do preconceito,

com medo do que eu iria enfrentar, só que é como ela disse, imagina todos esses pensamentos de uma só vez na sua cabeça?

E eu falei que eu entendia e que eu também tinha preparado todo aquele momento, e acabou saindo assim!

E ela acabou vendo que qualquer escolha que a gente faça para ser feliz, seja ela qual for, é necessária.

Flavia Adura: E Cris, conta um pouquinho sobre a sua vida de como ela é hoje, depois de toda essa turbulência ter passado.

Seria legal a gente saber como que a sua família lida com essa situação hoje,

se você está em um relacionamento ou não está…

Cris Barros: Hoje eu sou casada no civil. Nós casamos já tem um ano e meio.

A minha família abraçou, acolheu demais a minha esposa.

Eles adoram ela!

E hoje eu sou madrinha do meu sobrinho, filho da minha irmã, e isso mostra o quanto ela aceitou de todo o coração.

Ele já vem desde pequeninho pra casa, então ele vê duas tias, já acostumou.

Minha mãe está muito feliz por ver que nós temos uma relação de puro amor, de puro respeito.

Profissionalmente está tudo bem.

Eu já estou no meu oceano e com a minha família mais ainda com os primos, os tios…

hoje é tudo supertranquilo!

Dica da Cris

Se olhe com amor quando você se descobrir,

se descobrindo se aceite e tenha muuuita coragem porque graças a corajosas antes de nós que temos essa transformação que acontece a cada dia, leis ao nosso favor…

Tenha coragem para ser quem você é!

Lembre-se: você não está sozinha, conte sempre comigo e acredite, Se Assumir Liberta!

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